A ESCREVIVÊNCIA COMO PRINCÍPIO METODOLÓGICO DE PESQUISA SOBRE QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA
DOI:
https://doi.org/10.35701/rcgs.v27.1137Palavras-chave:
Escrevivência, Narrativas Negras, Geografia antirracistaResumo
Este artigo tem como objetivo apresentar a escrevivência como caminho metodológico para pesquisas de autoria negra sobre questões étnico-raciais, a partir de narrativas escreviventes de três professores/as negros/as de Geografia da Educação Básica graduados em uma instituição de ensino superior no Ceará. A produção de narrativas negras é estratégia anticolonial de resistência e de reafirmação. Neste exercício contra-hegemônico, escre-viver as próprias narrativas é um ato criativo de reivindicar o protagonismo na autoria da produção do conhecimento que desobedece a ordem colonialista e racista. O presente artigo é um recorte da pesquisa de mestrado defendida em 2023, que foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual Vale do Acaraú (PROPGEO/UVA). Adotou-se como procedimento metodológico a revisão bibliográfica de autores e autoras como Gomes (2012), Nascimento (1980), Santos (2000), Evaristo (2017; 2020), Barrozo (2021) e Ferreira, Teles e Campani (2023) e as escrevivências de duas professoras e um professor de Geografia, todos formados pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Os resultados da pesquisa revelam que o curso não tem preparado os futuros professores e professoras de Geografia para atuarem numa perspectiva das Relações Raciais, e isso ocorre em função da estrutura curricular que não favorece o debate sobre a diversidade e a plurietnicidade do nosso país, infligindo marcadores da colonialidade do poder/saber na formação acadêmica através do currículo eurocentrado. Nessa medida, na reivindicação pelo reconhecimento da autoria negra, há a necessidade de estabelecer outros marcos civilizatórios para recontar essas histórias, pois desde que os pseudo "descobridores" chegaram a este país de cultura ancestral, os povos subalternizados tiveram suas epistemologias negadas e corrompidas. Portanto, apesar de ainda observarmos muitas resistências das instituições formativas, é fato que os currículos vêm sendo constantemente questionados, o que nos permite compreender a universidade enquanto um território em disputa, isto é, embora historicamente tenha sido um espaço a serviço da epistemologia eurocêntrica, também há movimentos que buscam subverter a lógica acadêmica colonial e eurocentrada, como, por exemplo, as inflexões político-epistemológicas apontadas pelos docentes de Geografia.
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