A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO DE COMÉRCIO: MERCADORIA PIRATEADA NO CONTEXTO DA MUNDIALIDADE

  • Claudio Ressurreição dos Santos Rede Estadual - BA

Resumo

A reflexão desenvolvida neste artigo parte da seguinte tese: a repetição, a partir da reprodução da mercadoria cópia-pirateada, aumenta o consumo de produtos de uso cotidiano como tênis, óculos, eletrônicos, entre outros, e ainda desenvolve um papel central na produção dos espaços de comércio populares da cidade. A metodologia da pesquisa teve como suporte as reflexões feitas na elaboração da Tese de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual Paulista – UNESP – Rio Claro; e as reflexões e  atividades de campo desenvolvidas no âmbito da Rede Brasileira de Estudos Sobre o Comércio e Consumo - ReBECCa, apontando para o processo da reprodução, via repetição, por meio da cópia mercadoria-pirateada, que amplia o consumo delas nas formas de comércio populares como, também, nas formas de comércio opulentas, pois a mercadoria-pirateada constitui-se um meio de divulgação das marcas. Os resultados encontrados destacam que, no Brasil, a reprodução dos espaços de comércio a partir da mercadoria-pirateada está, em parte, atrelada às dinâmicas socioespaciais decorrentes das ordens distantes, como da China que, atualmente, comanda a rede de produtos copiados-pirateados no mundo. Assim, esses circuitos de mercadorias pirateadas contribuem para a reprodução de novos espaços de comércio como os shoppings populares, que são cópias das formas opulentas de comércio, onde o uso e apropriação são fragilizados devido à possessão privada.     

Palavras-chave: Produção do espaço. Formas de comércio. Cópia-pirataria. Cópia-autêntica. Repetição.

 

ABSTRACT

The reflection developed in this article is based on the following thesis: the repetition of copy-pirated merchandise increases the consumption of everyday products such as sneakers, glasses, electronics, among others, and also plays a central role in the production of popular trade spaces of the city. The methodology of the research was supported by the reflections made in the elaboration of the Doctoral Thesis in the Postgraduate Program in Geography of the State University of São Paulo - UNESP - Rio Claro; and the reflections and field activities developed within the scope of the Brazilian Network of Studies on the Trade and Consumption - ReBECCa, pointing to the process of reproduction, through repetition, through the merchandise-pirated copy, that expands the consumption of them in the forms of commerce popular as well as in opulent forms of commerce, since pirated merchandise is a means of spreading the marks. The results show that, in Brazil, the reproduction of trade spaces from the pirated merchandise is in part linked to the socio-spatial dynamics derived from distant orders, such as from China, which currently commands the network of copied-pirated products in the world. Thus, these circuits of pirated goods contribute to the reproduction of new commercial spaces such as the popular malls, which are copies of the opulent forms of commerce, where use and appropriation are weakened by private possession.

Key words: Production of space. Forms of commerce. Copy-piracy. Copy-authentic. Repetition.

 

RESUMEN

La reflexión desarrollada en este artículo parte de la siguiente tesis: la repetición, a partir de la reproducción de la mercancía copia-pirateada, aumenta el consumo de productos de uso cotidiano como tenis, óculos, electrónicos, entre otros, y aún desarrolla un papel céntrico en la producción de los espacios de comercio populares de la ciudad. La metodología de la investigación tuvo como soporte las reflexiones hechas en la elaboración de la Tesis de Doctorado en el Programa de Posgrado en Geografía de la Universidad Estadual Paulista – UNESP – Rio Claro; y las reflexiones y actividades de campo desarrolladas en el ámbito de la Red Brasileña de Estudios sobre el Comercio y Consumo - ReBECCa, apuntando para el proceso de la reproducción, vía repetición, por medio de la copia mercancía-pirateada, que amplía el consumo de ellas en las formas de comercio populares como también, en las formas de comercio abundante, pues la mercancía-pirateada se constituye un medio de divulgación de las marcas. Los resultados encontrados destacan que, en Brasil, la reproducción de los espacios de comercio a partir de la mercancía-pirateada está, en parte, atraillada a las dinámicas socioespaciales decurrentes de las órdenes distantes, como de China que, actualmente, dirige la red de productos copiados-pirateados en el mundo. Así, esos circuitos de mercancías pirateadas contribuyen para la reproducción de nuevos espacios de comercio como los centros comerciales populares, que son copias de las formas opulentas de comercio, donde el uso y apropiación son debilitados debido a la posesión privada.

Palabras clave: Producción del espacio. Formas de comercio. Copia-piratería. Copia-auténtica. Repetición.

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Biografia do Autor

Claudio Ressurreição dos Santos, Rede Estadual - BA
Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (1998), Especialista em Geografia do Semi-Árido Brasileiro pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2003), Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (2009), Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP - Rio Claro). Pesquisador dos Grupos de Estudos sobre Comércio e Consumo (NECC) da (UNESP - Rio Claro), Comércio e Consumo no Nordeste (Universidade Federal de Campina Grande - UFCG). As Cidades e o Urbano da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus V) . Membro da Rede Brasileira de Estudos Sobre o Comércio e Consumo, ReBECCa. Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Urbana, Geografia Econômica, Geografia do Comércio e Consumo, atuando nos seguintes temas: produção do espaço de comércio e consumo, cotidiano e formas de comércio.
Publicado
2018-05-18
Como Citar
SANTOS, C. R. DOS. A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO DE COMÉRCIO: MERCADORIA PIRATEADA NO CONTEXTO DA MUNDIALIDADE. Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), v. 20, n. 1, p. 66-79, 18 maio 2018.