A QUEM PERTENCE A CIDADE?

  • Jan Bitoun UNIVERSITÉ DE REIMS CHAMPAGNE-ARDENNE

Resumo

To whom belongs the city?

¿Quién es dueño de la ciudad?

 

Palestra de abertura da XVI Semana da Geografia da UVA – 16 a 19 de setembro de 2014.

 

Agradeço aos colegas da UVA, que propiciaram minha vinda a Sobral: a todos da Comissão Organizadora do evento, à Professora Neide, que entrou em contato comigo em julho, e ao Professor Emílio, que me trouxe de Fortaleza. Estou extremamente feliz de estar aqui e de poder estabelecer esse diálogo com os colegas, professores e estudantes.

A ideia central é apresentar uma palestra introdutória para os debates que virão associados aos temas das outras mesas. Quando escolhi o título “A quem pertence a cidade?”, lembrei-me de um professor da USP, Armando Correia da Silva, que, em 1986, publicou um livro extremamente interessante intitulado De quem é o pedaço? Espaço e cultura, editado pela Hucitec, em São Paulo. Armando Gouveia da Silva, já falecido, era sociólogo, trabalhava no Departamento de Geografia e, à noite, tocava piano nos bares de São Paulo. Era um intelectual criativo, que expressava uma visão de mundo interessante. Então, pensei que responder à pergunta – a quem pertence a cidade? – é, num primeiro momento, interrogar-se acerca de que pedaço é a cidade.

Assim, iniciarei a palestra questionando o que chamamos de cidade no Brasil, constatando que são classificadas como cidades no Brasil, pedaços como São Paulo e outros como Borá que, situada também no estado de São Paulo, reúne somente 730 habitantes. Numa segunda parte, talvez um pouco mais árida, tratarei das nossas matrizes teóricas, que orientam as abordagens na geografia desses pedaços. Numa terceira parte, apresentarei os debates em curso no Brasil contemporâneo, destacando a recente importância atribuída nos estudos a cidades intermediárias como Sobral, tentando entender por que, com mais afinco, se procura desvendar, em cidades fora das grandes metrópoles, as coalizações e as alianças que as reconfiguram...

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jan Bitoun, UNIVERSITÉ DE REIMS CHAMPAGNE-ARDENNE
Graduado em geografia pela Universidade de Paris X, Nanterre (Licence 1970, Maitrise1971) e pós-graduação em Geografia Humana e Organização do Espaço na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne (DEA 1977, Doutorado 1981). Durante o período de formação especializou-se em estudos intraurbanos (Maitrise: La Baixa, Centro traditionnel des Affaires Lisbonne) e urbano-regionais (Doutorado: Ville et Développement Régional dans une Région Pionnière au Brésil, Imperatriz-MA). Residindo no Brasil desde 1979, é professor de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco, ministrando cursos e orientando alunos nos cursos de graduação e pós-graduação. Ocupou cargos administrativos várias vezes na coordenação e vice-coordenação do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPE (mestrado e doutorado). Ele também teve experiências de trabalho em secretarias da cidade do Recife (1992-1996 e 2001-2002). Coordenou ou participou de vários trabalhos de consultoria técnica local e nacionalmente. No primeiro Conselho Nacional das Cidades, representou a AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros), atuando principalmente em questões relacionadas à drenagem urbana. Os trabalhos publicados referem-se principalmente à relação entre políticas públicas (especialmente Urbanísticas e de Saúde) com a organização do espaço urbano e urbano-regional. Sempre tenta associar a reflexão teórico acerca destes espaços, ambos marcados por desigualdades e diversidades, e acerca de políticas públicas locais e nacionais com a concepção de ferramentas para a ação social. Participa, neste sentido, desde a sua fundação (como coordenador e pesquisador) do Observatório Pernambuco de Políticas Públicas e Práticas Sócio-Ambientais, um laboratório de pesquisa acadêmica da UFPE associado à ONG FASE e ligado à rede de pesquisa INCT Observatório das Metrópoles.
Publicado
2014-12-29
Como Citar
BITOUN, J. A QUEM PERTENCE A CIDADE?. Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), v. 16, n. 2, p. P. 115-125, 29 dez. 2014.
Seção
Artigos